Foto: Sintep-MT

Retorno das aulas presenciais será dia 07/06; vacina para educadores segue sem data

Sintep-MT

A secretaria de estado de Educação (Seduc-MT) realizou uma “audiência” nesta quinta-feira (20/05) onde o objetivo era anunciar o calendário de retorno das aulas presenciais na rede pública estadual, no sistema híbrido, já para o início de junho.

O presidente do Sintep-MT, Valdeir Pereira, participou da reunião e apresentou diversos argumentos contrários ao retorno presencial, entre eles, a fala do próprio secretário de estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, que em recente entrevista a um jornal de grande circulação no estado, destacou a possibilidade de Mato Grosso entrar numa terceira onda de contaminação da Covid-19, podendo ser ainda pior que as duas anteriores.

“O próprio secretário de Saúde disse que esse não é o momento de afrouxar as medidas de prevenção da Covid-19. A Seduc diz que se baseia em critérios técnicos para respaldar a decisão pelo retorno e que as escolas são ambientes controlados quanto à segurança sanitária. Só nesse ponto são duas contradições: se são critérios técnicos, porque o secretário de saúde não estava presente para respaldar essa decisão? E quanto à questão de ambientes controlados, essa afirmação deve ter sido feita porque o secretário desconhece quais as reais condições de estrutura física das escolas públicas em Mato Grosso”, destacou Valdeir.

Durante uma apresentação feita pelo secretário Alan Porto, o gestor admitiu que cerca de 330 escolas em todo estado “estão passando ou ainda vão passar por reformas afim de melhorar a estrutura das áreas molhadas como banheiros e cozinha”. Ao ser questionado na audiência se o governo garante que essas mais de 300 unidades escolares já terão essas reformas 100% concluídas até o início do mês que vem, o secretário desconversou e jogou a responsabilidade para os diretores. “Nós repassamos parte do dinheiro solicitado e vamos acompanhar de perto se esses recursos já foram aplicados pelos gestores das escolas”, disse Alan.

O promotor de Justiça Miguel Slhessarenko também foi questionado se o Ministério Público pretende acompanhar as condições de estrutura física e sanitária das escolas da rede pública no estado, uma vez que o Sintep-MT fez, no início deste ano, um levantamento mostrando a estrutura precária de diversas unidades, inclusive com infiltrações, mofo e banheiros sem condições de uso. “Nós defendemos a reabertura das escolas sim, mas não a qualquer custo. Se tivermos informação de que alguma escola não tem condições, vamos intervir”, disse o promotor.

Quanto à promessa de vacina aos trabalhadores da educação, mais uma vez o questionamento sobre quando a imunização para este grupo deve começar, ficou sem resposta. O secretário Alan Porto repetiu o discurso de seu chefe, o governador Mauro Mendes, de que os trabalhadores da educação vão ter como reserva, 10% das vacinas que chegarem ao estado, mas não disse a partir de quando.

“A vacinação para os educadores já faz parte da etapa que integra o grupo indicado pelo plano nacional de imunização. Esses 10% iriam acelerar um pouco esse processo, mas até agora ninguém deu uma data para o início dessa vacinação. Até lá, o governo quer testar a sorte dos trabalhadores da educação, obrigando-os a um retorno presencial para avaliar quem vai sobreviver ou não à contaminação”, criticou o presidente do Sintep-MT, Valdeir.

No calendário apresentado pelo secretário Alan Porto, as atividades presenciais nas escolas da rede pública de ensino seria da seguinte forma: 1ª semana (31/05 a 04/06) acolhimento dos profissionais e estudantes com revezamento entre os dias da semana; 2ª semana (07/06 a 11/06) atendimento presencial aos estudantes com revezamento e 3ª semana (14 a 18/06) atendimento presencial dos estudantes divididas as turmas entre grupos A e B, revezando os grupos entre presencial e on-line.

O presidente do Sintep-MT, destacou que os trabalhadores da Educação vão se reunir em uma Assembleia Geral nesta sexta-feira (21/05), para definir quais ações a categoria irá tomar diante da obrigatoriedade do retorno presencial imposto pelo governo, mesmo diante de UTI’s beirando a 80% de ocupação no estado. “O Sintep-MT é pela vida. Nós não fazemos ‘teste’ para ver o que vai acontecer. Se o cenário atual mostra que o patamar de contaminações e mortes continuam no estado, com muitos municípios inclusive, com classificação de nível alto e muito alto para o contágio, eu prefiro atuar em defesa da prevenção agora, do que mais tarde estar chorando pela morte de mais trabalhadores da educação, de nossos familiares e também dos estudantes. Por isso, vamos decidir o que fazer de forma coletiva, na Assembleia Geral desta sexta”, finalizou o sindicalista.


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