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Produtores em MT estão de olho nas chuvas

Da Redação

O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulga os boletins semanais para Soja, Milho, Algodão e Boi.

Soja: demanda por óleo

Os preços do óleo de soja alcançaram o maior patamar (nominal) da série histórica do Imea em dez-19. O principal motivo deve-se à alta demanda interna do óleo para biocombustível, impulsionada pelo programa federal Renovabio, que prevê um aumento gradativo da mistura do biodiesel ao diesel até 2023, saindo de B11 – atualmente, para B15 (15% biodiesel).

Para 2020 as expectativas são de aumento do consumo interno, que já é de 89% do óleo de soja produzido em MT (18-19). Em termos de Brasil, projeção semelhante ocorre, porém o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) aponta que isso pode levar a uma redução das exportações brasileiras desse produto, movimento contrário do que possivelmente ocorrerá com o grão e o farelo.

Por fim, vale salientar que a demanda por óleos vegetais vem crescendo em todo o mundo e, no final de 2019, impulsionou os preços do óleo de soja e de palma, em Chicago e na Malásia, respectivamente, demonstrando as boas expectativas para o produto.

Milho: de olho na chuva

Com os avanços na semeadura de milho, que é considerado uma cultura de alta demanda hídrica, a atenção está redobrada na previsão das precipitações. Os volumes pluviométricos são menores para os próximos 10 dias, o que pode ser benéfico, visto a necessidade de colher a soja para liberar área para semeadura do cereal.

Além disso, dados do TempoCampo mostram que praticamente todo o estado de Mato Grosso irá receber pelo menos 200 mm de chuva no acumulado dos próximos 30 dias. Esse volume é suficiente visto a evapotranspiração da cultura no início do estádio vegetativo.

No entanto, a partir da segunda semana de março, Mato Grosso poderá receber um volume menor de precipitações. Assim sendo, o bom andamento dos trabalhos de campo nos próximos dias é vital, devido à necessidade da semeadura na janela considerada ideal, visto que o período de maior exigência hídrica é na fase de embonecamento, e o desejado é que esta ocorra ainda no período de chuvas.

Algodão: EUA x Brasil

O mercado de commodities tem se mantido incerto quanto ao tratado entre a China e os EUA, visto que ainda não foi especificado quanto de cada produto deve ser adquiridos. Mas, com a assinatura da primeira fase do acordo comercial entre as grandes potências, é previsto que os chineses adquiram US$ 32,00 bilhões em produtos agrícolas dos EUA em dois anos.

Já para o algodão a dúvida permanece grande, uma vez que a China é o maior consumidor da fibra e no último ano tem destinado sua demanda para outros mercados, como o do Brasil, que em 2019 aumentou os envios em 67,92% para o país asiático. Foram exportados 499,67 mil toneladas, contra 292,36 mil toneladas dos EUA, as quais, por sua vez, foram -34,05% em relação a 2018.

No entanto, mesmo com uma redução neste primeiro momento por parte da demanda chinesa, o algodão brasileiro pode aparecer em outros mercados, visto que um dos principais exportadores, a Austrália, vem enfrentando dificuldades na safra.

Boi: arroba

A arroba do boi gordo em Mato Grosso, retirando o efeito da inflação, alcançou um novo patamar de preços em
2019. A maior média mensal foi em dezembro, quando registrou o valor de R$ 184,32/@. Daqui para a frente, ainda pairam dúvidas sobre se este novo nível de preços irá permanecer.

O que o mercado indica? Primeiramente, ao olhar a série histórica, verifica-se que o viés de alta comumente perdura em torno de quatro anos (ciclo pecuário). Apesar de o mercado futuro não indicar os mesmos valores do final de 2019, o que volta ao patamar de preços de 10/11, considerando o atual momento – como muito já tem sido comentado nas análises do Imea-, de menor estoque de animais e demanda internacional aquecida, sobretudo a chinesa, pode ser que as cotações no ciclo em alta sejam observadas nos próximos anos.

Assim, 2020 sinaliza sustentação nos movimentos de 2019, ficando acima do período de 2015 a 2018, principalmente no 2º semestre.

Fonte: Imea


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