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Mato Grosso possui alto potencial de geração de energia a partir da biomassa

Da Redação

Mato Grosso produz 80 milhões de toneladas de resíduos de biomassa que podem ser transformadas em energia. No entanto, apenas entre 12% desse material é utilizado para produção de energia elétrica. Este e outros dados foram apresentados durante o X Seminário de Energia, na palestra “A biomassa no futuro da matriz energética”.

O seminário, promovido pelo Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso (Sindenergia-MT), aconteceu entre os dias 26 e 28 de agosto, em Cuiabá.

São muitos os resíduos considerados biomassa que podem ser transformados em energia, entre eles bagaço de, palha e pontas de cana, palhas das culturas de soja e milho, cascas de arroz e café, resíduos de madeira, coco, feijão, amendoim e mandioca, resíduos da pecuária e da suinocultura. A transformação deste material se dá por combustão, gaseificação ou biodigestão.

Além da abundância de matéria prima, a energia a partir da biomassa é considerada altamente sustentável e renovável. A utilização dos resíduos promove a retirada dos mesmos no meio ambiente, mitigando impactos ambientais.

Em sua palestra, “a biomassa no futuro da matriz energética”, o presidente da Sociedade SBPE (Sociedade Brasileira de Planejamento Energético), Ivo Dorileo apontou que Mato Grosso poderia ter 30% de sua produção de energia elétrica proveniente de resíduos orgânicos se o setor recebesse o incentivo público adequado.

“O desenvolvimento das cadeias energéticas baseadas na biomassa pode aumentar significativamente a oferta de energia renovável, através de diversas energéticas, tais como biogás, biometano e lenha para geração elétrica. Além disso, como a maior parte do potencial reside em dois grandes grupos, a indústria sucroalcooleira e a biomassa residual, o desenvolvimento desse potencial apresenta vantagens competitivas interessantes”, aponta o pesquisador.

O aproveitamento dos resíduos traz vantagens financeiras ao negócio. No caso das usinas de cana, por exemplo, todo o bagaço proveniente da produção de açúcar e etanol pode ser transformado em energia, ampliando a rentabilidade financeira da empresa.

Já para a biomassa residual (rejeitos de animais), a vantagem está no aumento da produtividade econômica, uma vez que há geração de valor a partir dos resíduos, bem como a mitigação dos impactos ambientais locais e regionais.

Em um momento em que o principal assunto mundial são as mudanças climáticas e a necessidade e redução drástica das emissões de gás carbono, a utilização da biomassa para produção de energia vai exatamente ao encontro das necessidades dos mercados mundiais. Isto já é feito com a produção de biocombustível (etanol) substituindo o combustível derivado de petróleo (principais emissores de gás carbono).

O presidente da SBPE destacou ao MT Econômico o papel da biomassa na expansão da geração termelétrica, como complementar o parque de geração hidrelétrica; a capacidade atende plenamente o sistema elétrico; não existe sazonalidade nos recursos, gerando escassez de matéria prima (como ocorre com a geração de energia hidrelétrica quando há estresse hídrico); proximidade aos centros de carga de consumo, entre outros aspectos.

Porém, o grande problema para o setor é a falta de incentivos e políticas públicas, principalmente por parte do Governo Federal. Ivo Dorileo aponta que medidas devem ser implementadas rapidamente, entre elas a reativação do Conselho Estadual de Energia e a criação do Programa de Fomento ao aproveitamento Energético dos Resíduos Agrícolas, da Pecuária e da Madeira.

Outras ações são o estabelecimento de metas de exploração do potencial energética do estado por vocação regional; o fomento à cogeração industrial com a biomassa baseada em resíduos florestais; o fortalecimento de medidas já existentes de incentivo e fomento a energia renovável em Mato Grosso em estreita aderência as políticas nacionais; a determinação governamental de substituição gradual de fontes energéticas com alta emissão dos gases do efeito estufa (GEE) por energias renováveis.

No X Seminário de Energia também foram abordadas as diretrizes, os problemas e o alto custo da energia em Mato Grosso. Veja mais aqui.


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