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Mato Grosso exportou US$ 17 bilhões em 2019, o maior volume da história

Da Redação

O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulga os boletins semanais para Soja, Milho, Algodão e Boi. Também divulga os boletins mensais para o Leite e a Economia.

Soja: logística diferente

Geralmente os preços dos fretes (grão) se valorizam no início do ano em MT, pois inicia-se a colheita no estado e a demanda por caminhões para o escoamento da produção aumenta. Porém, o término do asfaltamento da BR-163 em finais de 2019, no trecho próximo a Miritituba, pressionou os preços do frete no mercado, tornando ainda mais interessante para os ‘players’ de Sorriso e região a logística via Miritituba.

Com 26,67% da soja colhida em MT, a rota para Miritituba está sendo mais atrativa quando comparada à média do mesmo período dos últimos cinco anos, mostrando o efeito que a pavimentação causou na logística estadual.

Por fim, vale considerar os investimentos que estão sendo feitos no ‘arco norte’, os quais possibilitaram que 48% das exportações de soja de MT em 2019 fossem escoadas pelos portos dessa região, ilustrando o potencial da logística ali existente, o que deve continuar beneficiando os produtores.

Milho: safra maior

A demanda aquecida pelo cereal, especialmente pela construção de novas usinas de etanol à base de milho no estado, aliada à valorização de preços do milho, animou alguns produtores a investir no cereal. Pautando o aumento na safra de milho em Mato Grosso, os maiores acréscimos de área e consequente produção foram no médio-norte. Nessa região está concentrado 81,31% do consumo esperado das usinas de etanol em 2020, de forma que há um potencial aumento na demanda de milho pelas indústrias do estado neste ano.

Percentualmente, os maiores acréscimos de área estão na região noroeste e norte, com aumento de 9,48% e 8,82% ante a última safra. A única região que apresentou (leve) ajuste negativo foi a nordeste, devido à cultura do gergelim, segunda safra que vem ganhando competitividade em alguns municípios da região.

O alto volume do cereal exportado em 2019, aliado à construção de novas indústrias, impulsionaram bons patamares de preços no estado, isso fez com que alguns produtores investissem mais em tecnologia, o que, se o clima colaborar, poderá resultar em ganhos de produtividade, que atualmente está estimada em 106,1 sacas por hectare na média geral do estado.

Algodão: previsão pluviométrica

Com os trabalhos a todo vapor nas lavouras e restando menos de 20,00% para o fim da semeadura de algodão em Mato Grosso, as atenções se voltam para as áreas já semeadas, já que nesse período inicial é importante receber um bom volume de chuvas, as quais são essenciais para a germinação do algodão. Com isso, segundo dados da Somar, para o mês de fevereiro são esperados cerca de 275,06 mm de chuva na média do estado, uma redução de 4,22% se comparado ao mesmo período do ano passado.

Para a região oeste, maior produtora da fibra em Mato Grosso, a precipitação é de 241,70 mm contra 491,20 mm vistos no ano anterior. Mesmo com a redução no volume pluviométrico em algumas regiões de Mato Grosso, as previsões são de chuvas mais distribuídas para as regiões do estado, favorecendo assim o desenvolvimento da safra.

Boi: compra e venda

O primeiro mês de 2020 foi marcado pelo recuo da arroba do boi gordo, quando comparado a dez/19. Um dos motivos que configuraram este movimento foi o menor apetite dos frigoríficos, visto que o consumo na ponta da cadeia freou. Contudo, o cenário não está “tão” confortável assim para a indústria, ou seja, apesar da menor demanda, as escalas de abate estão curtas, o que significa que a oferta de animais também está restrita.

A diferença entre a arroba do boi gordo e a do bezerro de ano, o chamado ágio, é um importante indicador para estratégias de comercialização de gado. No final de 2019, o ágio foi o menor desde mar/14, uma vez que em novembro registrou o valor de 16,08% e em dezembro 16,46%. Isso significa que quem comprou bezerro e vendeu boi gordo conseguiu uma diferença nos preços destas categorias menor do que comumente é observada, já que a média histórica deste indicador é 20,74%.

Já em jan/20, o ágio voltou a ser superior que o histórico, cerca de 23,19%, uma vez que as cotações da arroba recuaram e do bezerro de ano subiram. Para se ter uma ideia, entre dez/19 e jan/20 a arroba do boi gordo recuou 5,91% enquanto a do bezerro aumentou 2,80%. Mas, como é normal a arroba retrair no primeiro mês do ano e as maiores cotações serem registradas no segundo semestre, o ágio pode voltar a recuar na segunda metade de 2020.

Leite: cadê o leite?

Com o fechamento dos dados de 2019, foi possível observar uma redução de 3,95% no volume captado no estado de Mato Grosso ante a 2018, o que elevou a ociosidade dos laticínios no estado por mais um ano. A redução na oferta ocorreu, principalmente, nas regiões médio-norte e centro-sul, com quedas de 31,58% e 21,82%, respectivamente.

Como reflexo, alguns laticínios fecharam as portas no decorrer do ano, por causa das dificuldades econômicas que o setor lácteo tem passado. Apesar disso, as regiões norte e nordeste aumentaram sua captação em 8,98% e 8,57%, nesta ordem, principalmente porque o rebanho nas regiões no norte do estado aumentou (IBGE, 2018). Isso indica que a cadeia naquelas localidades está crescendo, e lá registrou os maiores níveis de utilização das indústrias.

Ainda assim, a média da utilização das indústrias em MT em 2019 reduziu 2,00 p.p. ante o ano anterior, o que eleva seus custos produtivos e limita melhores repasses de preços aos produtores.

Economia: mais um recorde

A balança comercial de Mato Grosso encerrou 2019 com o maior valor nominal da série histórica (1997-2019), com saldo de US$ 15,05 bilhões. O estado exportou US$ 17,02 bilhões, maior volume da história.

As reduções nos valores enviados do complexo de soja foram compensadas pelo aumento de divisas recebidas pelo milho e algodão. Mais uma vez a China foi o principal parceiro comercial do estado, entretanto, os chineses demandaram menos produtos em 2019 ante a 2018, enquanto que o Japão e o México exibiram o maior acréscimo nas compras de produtos mato-grossenses em receita.

As importações também exibiram recorde, com adição de 25,9% e volume total negociado de US$ 1,96 bilhão, puxadas pelo aumento na demanda por fertilizantes e defensivos, reflexo da expansão da área agrícola.

Com os desdobramentos do acordo entre a China e os EUA, a demanda chinesa pode diminuir, contudo, os produtores podem conquistar novos parceiros comerciais e expandir o mercado comercial brasileiro, como já visto em 2019.

Fonte: Imea


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