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Estiagem do Pantanal é semelhante à seca registrada no início da década de 1970

Da Redação

O Serviço Geológico do Brasil publicou ontem (5), novo boletim semanal de monitoramento da vazante no Pantanal. Nesta última semana, a tendência geral foi de recuperação de níveis na calha principal do rio Paraguai.

De acordo com o pesquisador em Geociências, Marcus Suassuna, as chuvas observadas neste mês foram muito irregulares e ainda não caracterizam o início da estação chuvosa. Nos últimos 7 dias, estimativas de chuvas por satélite, sugerem acumulados de 10 mm.

“Ainda que a estação chuvosa se inicie, porém, os rios na calha do rio Paraguai levarão tempo para se recuperarem, haja vista serem rios de resposta lenta, principalmente sobre o Mato Grosso do Sul. Além disso, a previsão das chuvas nos próximos 15 dias é de chuva pouco abaixo do normal para este período do ano, o que deve fazer com que essa recuperação dos rios seja lenta”, alertou acrescentando que “em Ladário, o rio Paraguai tem mostrado uma tendência de recuperação de níveis e, de acordo com os dados históricos, é improvável que o rio retorne ao regime de recessão neste local, após retomada a recuperação de níveis”, disse.

Níveis das estações continua abaixo do normal

No entanto, os níveis das estações ainda se encontram abaixo do normal para este período e dentro da zona de atenção para mínimas. Em Mato Grosso, nos municípios de Cáceres, Cuiabá e Santo Antônio do Leverger, os rios estão na mínima histórica do registro de dados para este período do ano. À exceção das estações do rio Piquiri, no município Barão do Melgaço. No total, o monitoramento abrange 21 estações distribuídas ao longo da bacia em oito municípios.

Prognóstico de níveis

Nas estações na calha do rio Paraguai, à exceção de Cáceres, as previsões com horizonte de 28 dias são mantidas pelo Serviço Geológico do Brasil. Para Ladário (MS), a previsão é que o rio Paraguai no próximo mês suba até 18 centímetros. Em Porto Murtinho (MS), em quatro semanas o rio deve alcançar a cota de 1,85 metros.

Panorama da bacia

Na Capital de Mato Grosso, o rio Cuiabá registrava em 05/11, o nível de 30cm continuando entre as mínimas históricas do registro de dados. Em anos normais, a cota registrada seria 77cm (mediana).

Em Cáceres, o rio Paraguai que atingiu a mínima histórica entre todas as cotas já registradas nos dias 10 e 11 de outubro (50 cm). Hoje registra 88cm. Esse valor ainda representa uma mínima, pois nunca o rio esteve tão baixo nessa época. O normal para a estação nesse período do ano seria o registro no dia de hoje de uma cota de 1,59 m (mediana).

Em Ladário (MS), município vizinho a Corumbá (MS), a cota do rio Paraguai registrou no dia 05/11, 12cm, ainda bem abaixo da mediana para o período, que é 2,27metros. A régua de Ladário é a referência para a definição pela Marinha do Brasil de restrições à navegação no rio Paraguai, que exige cotas acima de 1,5 metros.

Porto Murtinho (MS), mais ao Sul, o nível do rio Paraguai também subiu. Na semana passada, estava com 1,04 m e subiu mais 34 cm, chegando a cota atual de 1,38m no entanto, a mediana é 4,10m, ou seja, ainda precisa subir mais de dois metros para atingir os níveis considerados normais.

Estiagem histórica

A estiagem deste ano é semelhante à seca registrada entre 1968 a 1973. A vazante extrema foi prevista pelo Serviço Geológico do Brasil a partir do mês de julho, com a divulgação do primeiro prognóstico.

De acordo com o Cemaden, a seca deste ano é a mais severa dos 22 anos de monitoramento do Índice Padronizado de Precipitação (SPI) na sub-bacia do alto Paraguai e do bioma Pantanal.

Os dados hidrológicos utilizados nos boletins são provenientes da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN) de responsabilidade da Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA), operada pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e demais parceiros. Os dados de monitoramento de chuvas foram obtidos por meio de imagens de satélite do produto MERGE/GPM, disponibilizados pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Os dados de previsão de chuva apresentados são do modelo CFS, gerados pela NOAA.

As previsões apresentadas neste boletim são baseadas em modelos hidrológicos e estão sujeitas às incertezas inerentes aos mesmos.

 

Fonte: Serviço Geológico do Brasil


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