Foto: Marcos Vergueiro/Secom-MT

Conselho aprova implantação do BRT; Prefeitura de Cuiabá contesta

C. Dallo - Da Redação

O Conselho Deliberativo Metropolitano do Vale do Rio Cuiabá (Codem) aprovou nesta quarta-feira (12.05), por maioria (13 votos a favor, 4 contra e 2 ausências), a substituição do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) pelo Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), movido à eletricidade, como modal de transportes na Região Metropolitana da Capital.

O conselho reúne representantes dos poderes Executivos, Legislativo e entidades civis dos municípios de Cuiabá, Várzea Grande, Chapada dos Guimarães, Acorizal, Santo Antônio de Leverger e Nossa Senhora do Livramento, que compõem a região metropolitana, e toda a reunião foi transmitida pelo YouTube do Governo de Mato Grosso.

De acordo com o governador Mauro Mendes, colocar em deliberação do conselho um assunto de relevância, que é a solução de mobilidade urbana para as cidades de Cuiabá e Várzea Grande, demonstra claramente a intenção do Governo de Mato Grosso de esclarecer as nuances da decisão pela implantação do BRT. Isto porque, o conselho tem a função principal de apresentar e discutir soluções para o futuro da Região Metropolitana, por meio da integração de planos, políticas e ações dos municípios. E, como a solução de mobilidade abrange as cidades de Cuiabá e Várzea Grande, era de fundamental importância a anuência do órgão na decisão a favor do BRT.

“A escolha pelo BRT foi antes de tudo técnica, embasada por estudos que apontaram diversas vantagens, como maior economia para sua implantação e viabilidade de projeto. Além disso, a mudança desse modal corrige um erro histórico, porque é do conhecimento de todos que o VLT foi escolhido em cima de corrupção”, disse o governador.

Para deliberação sobre o modo de transporte, todos os conselheiros receberam e analisaram os estudos técnicos disponibilizados em consulta pública feita pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), bem como participaram da audiência pública que apresentou os quesitos técnicos e legais da implantação do BRT, realizada na última semana.

A fim de trazer ainda mais clareza acerca do BRT, todos tiveram a oportunidade de esclarecer dúvidas técnicas e jurídicas, que foram respondidas pelo engenheiro de transportes da Sinfra, Rafael Detoni, e pelo procurador do Estado Wilmer Cysne Prado. Já a relatoria do processo de substituição do VLT para BRT ficou sob a responsabilidade do prefeito de Várzea Grande, Kalil Baracat, que deu parecer favorável à implantação do BRT.

Ao proferir seu voto, Kalil Baracat destacou que já defendeu a continuidade das obras do VLT, quando ainda não era prefeito municipal, mas percebeu a importância da mudança para o cidadão usuário do transporte coletivo, que é quem mais necessita de uma solução de mobilidade urbana.

“Foi definido hoje, através dessa sessão onde o conselho aprovou e agora o Estado vai tomar as medidas cabíveis para realizar a obra. Minha decisão foi baseada nos estudos técnicos, pareceres jurídicos. Inclusive, eu era favorável ao VLT. Defendi isso na minha campanha. Depois de apresentações e estudos, até pelo relatório que apresentei, hoje aprovo o BRT e acho que será mais econômico, flexível e vai atender a região metropolitana”, disse o prefeito.

Kalil Baracat reforçou ainda as dificuldades pelo qual o município de Várzea Grande passou nos últimos anos, em razão da paralisação das obras do VLT e destacou que as obras do BRT vão trazer novo fôlego para a cidade.

Cuiabá

O Presidente do Comitê de Análise Técnica para Definição do Modal de Transporte Público da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá e secretário de Mobilidade Urbana do Município, Juares Samaniego, votou contra o relatório a favor da implantação do Bus rapid transit (BRT).

Para o secretário, a reunião estava “desenhada”. “Mantive meu voto contra porque o material apresentado para consulta pública foi inconsistente, os requisitos formulados na reunião foram novamente respondidos pelo arquiteto Rafael Detoni, que trabalha na Sinfra – Secretaria de Infraestrutura – e foram evasivas”, criticou ele.

O secretário de Mobilidade avisa que a Prefeitura irá acionar o Estado por causa da audiência pública, devido às falhas e cortes nas falas de quem demonstrava os pontos negativos do BRT.

“O posicionamento de Cuiabá e do Comitê é pela anulação da audiência pública, que mais falou das questões jurídicas do VLT e não sobre o BRT. Afinal não existe projeto do BRT.  Defendemos o plebiscito e o debate para que se tenha o melhor modal para Cuiabá e Várzea Grande. Foi uma audiência direcionada. Fizeram uma explanação jurídica do VLT de quase uma hora que não é parte do tema e os questionamentos técnicos foram só dois minutos – concordo com as 35 indagações embasadas na Consulta Pública – VLT Cuiabá-Várzea Grande Estudos do BRT, que são inconsistentes. O que posso dizer é, estamos pegando o bonde andando e essa discussão tinha que ter sido desde o início e não somente dois minutos para questionar um investimento de R$430 milhões. Como o Governo chegou nesse valor, já que que não tem o projeto executivo de estudo de viabilidade econômica e financeira? Investimento no projeto baseado em estudo técnico econômico em que Cuiabá e Várzea Grande não participaram deste estudo de trabalho. É muito difícil defender a causa em dois minutos”, pontuou.

BRT

Para a implantação do BRT, o Governo do Estado se responsabilizará pela realização das seguintes obras de infraestrutura: corredor segregado, paradas, estações e terminais, tratamento das calçadas, Parque Linear da Av. Rubens de Mendonça, Centro de Controle Operacional, Garagem Operacional do BRT com subestação de recarga elétrica dos ônibus, sistema de monitoramento e segurança da frota e usuários, sistema de comunicação com os usuários e também pela aquisição dos ônibus movidos à eletricidade. As obras devem durar até 18 meses.

Os investimentos estimados para o BRT são da ordem de R$ 460 milhões, por outro lado o VLT demandaria R$ 763 milhões. O custo para os usuários também terá vantagens: para o BRT, o valor da passagem está estimado em R$ 3,04, enquanto que o VLT seria em torno de R$ 5,28. O BRT ainda contará com a manutenção da gratuidade aos estudantes e idosos.

A previsão é de que, com a aprovação da substituição do modal pelo BRT, o governo lance edital para contratação de obras do BRT até o mês de junho.

Fonte: (com informações do Governo de Mato Grosso e da Prefeitura de Cuiabá)


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